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El Niño deve voltar com força em 2026 e acende alerta de seca no Nordeste

 Fenômeno tem 90% de chance de se formar nos próximos meses e pode provocar estiagem prolongada, calor intenso e impactos no abastecimento de água e na agricultura da região.



Fenômeno tem 90% de chance de se formar nos próximos meses e pode provocar estiagem prolongada, calor intenso e impactos no abastecimento de água e na agricultura da região.






BRASIL - O Nordeste brasileiro pode enfrentar um cenário preocupante nos próximos meses. Meteorologistas apontam que há 90% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño durante o inverno de 2026, aumentando significativamente o risco de estiagens prolongadas, temperaturas acima da média e impactos em setores essenciais da economia regional.

De acordo com as previsões climáticas mais recentes, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial já vem influenciando a atmosfera, favorecendo o desenvolvimento do fenômeno. A tendência é que o El Niño se fortaleça ao longo do segundo semestre e permaneça ativo até o início de 2027. Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, a chance de continuidade chega a 96%.

Seca e calor preocupam especialistas
Historicamente, o El Niño está associado à redução das chuvas nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. O fenômeno altera a circulação atmosférica global e modifica o padrão climático em diversas partes do planeta.

Segundo o meteorologista Melquezedek da Silva, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), enquanto a Região Sul costuma registrar aumento das chuvas durante episódios de El Niño, o Nordeste enfrenta justamente o efeito contrário, com precipitações abaixo da média e maior risco de seca.

Além da diminuição das chuvas, especialistas alertam para a possibilidade de temperaturas acima do normal em praticamente todo o país. No Nordeste, o calor excessivo pode acelerar a evaporação da água armazenada em açudes, barragens e reservatórios, agravando ainda mais os efeitos da estiagem.

Impactos podem atingir abastecimento e produção rural
Uma nota técnica elaborada por instituições como a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Inmet e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) destaca a possibilidade de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno.

No Nordeste, os reflexos podem ser sentidos em diferentes áreas. Entre os principais riscos estão a redução dos níveis dos reservatórios de água, prejuízos à agricultura e à pecuária, dificuldades para produtores rurais, impactos na segurança alimentar e desafios para a geração de energia.

Especialistas ressaltam que regiões que dependem diretamente da agricultura familiar podem estar entre as mais vulneráveis caso o cenário de estiagem se confirme.

Monitoramento será fundamental
Apesar das projeções indicarem alta probabilidade de ocorrência do fenômeno, os meteorologistas destacam que a intensidade dos impactos ainda pode variar conforme a atuação de outros sistemas climáticos ao longo dos próximos meses.

Por isso, o acompanhamento constante das previsões e dos boletins emitidos pelos órgãos oficiais será essencial para orientar ações de prevenção, planejamento e mitigação dos efeitos da seca.

A expectativa é que governos, setores produtivos e a população utilizem as informações climáticas antecipadas para reduzir prejuízos e ampliar a capacidade de resposta diante de um possível período de escassez hídrica no Nordeste.

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